Você é empreendedor da sua própria vida?

Todos os anos a Endeavor Brasil convida o mercado a engajar-se em um movimento mundial cujo objetivo é “desenvolver ações que promovam o empreendedorismo no Brasil, via Semana Global de Empreendedorismo, e que possam mobilizar, informar, inspirar e disseminar o tema para a sociedade.
Dentro deste contexto, o Projeto Instigar realizou dois eventos: um deles em português no próprio Projeto Instigar, e outro em inglês em parceria com o Wall Street Institute. Em ambos, a psicanálise foi utilizada como alicerce para discutir a respeito dos diversos aspectos psíquicos envolvidos em empreendedorismo.
Porém, muito mais interessante do que traçar um perfil genérico sobre empreendedores, o objetivo foi instigar os participantes para que se apropriassem dos seus próprios recursos e ferramentais internos para empreenderem não apenas o seu plano de negócio, mas principalmente a sua própria vida. Leia neste artigo alguns aspectos psíquicos envolvidos.

 A primeira reflexão está relacionada à capacidade de entrar em contato com o próprio desejo, fugindo das demandas impostas pelo mercado, grupos familiares e sociais em que está inserido. O mercado inteiro pode ser constantemente pressionado a decolar em aviões super sônicos, mas talvez você deseje decolar em um balão de ar quente, e navegar ao sabor do vento…

A segunda reflexão está relacionada à capacidade de fazer uma importante distinção entre desejos e ilusões, compreendendo até que ponto ambos estão sob a influência de idealizações e mitos. Você realmente deseja “algo”, ou está se iludindo que quando conseguir atingir este “algo”, estará finalmente livre das diversas pressões que está submetido hoje em dia? E, até que ponto, o seu desejo está ancorado em ingênuas idealizações?

Digamos que o seu desejo realmente esteja no sentido contrário do senso comum, e que você deseje decolar em um balão de ar quente. A reflexão seguinte é: qual é a sua capacidade de sustentar o seu desejo? Lembre-se que sempre há custos (emocionais!) envolvidos em sustentar o próprio desejo, usualmente relacionados à importância e ao peso do olhar do outro: como é a sua capacidade de receber críticas, sem se deixar afetar por isto? Os critérios e referências que você usa são internos, externos ou um equilíbrio saudável entre ambos?

Talvez o aspecto psíquico mais essencial relacionado ao empreendedorismo, seja a capacidade de tolerar frustrações – ou, se emprestarmos o termo da física: resiliência: “Propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica.” – Sob o ponto de vista psicanalítico, não estamos falando somente sobre como se recuperar de uma frustração, mas sim como efetivamente aprender com esta experiência, transformando a forma de se lidar com novas situações frustrantes que virão no decorrer da vida. É a partir desta capacidade de transformação, que é possível estabelecer um processo de pensamento criativo.

Além destes, estabelecer e sustentar relacionamentos saudáveis, onde o grau de maturidade investido permita construir soluções conjuntas ao lidar com os conflito, respeitando as diferenças entre você e o outro, também faz parte dos aspectos psíquicos relacionados ao tema.

Transformar desejos e sonhos em planos, exige não apenas esforço e trabalho intelectual e financeiro, mas também investimento emocional para lidar de forma saudável com as diferentes adversidades inerentes ao processo de empreender.

Independente se VOCÊ deseja decolar em um avião super sônico ou em um balão de ar quente, lembre-se que navegar é preciso!      

Cuide-se!

Débora Andrade, psicanalista


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Crédito: Fotografia de J.B.Gimenez, Limeira, SP – publicada pela National Geographic Brasil

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